19/03/09 – More than communicate.
Quando faço reuniões com clientes, a grande maioria já chega praticamente com as peças de comunicação ou as ações de marketing prontas na cabeça. Eles escolhem as cores, falam de superstição, formatos, gramaturas de papel, classe social do seus clientes, target, enfim uma infinidade de coisas que o cliente jura de pé junto que está completamente correto.
Muitas empresas preferem escutar tudo isso, anotar no papel e produzir, sem discutir um “A” que o cliente tenha dito. Por que? Ora, é mais fácil você dizer “sim” para tudo do que argumentar e fazer a suas análises, suas ponderações, não é?
E qual é o problema nisso? Todos. Começando pela falta de ética em não estudar o problema e propor as melhores soluções, passando pela produção de um material ineficaz e chegando à falta de responsabilidade diante de um serviço que é pra gerar resultados positivos e fazer com que os clientes consigam atingir suas metas e objetivos, e não encher o seu bolso de dinheiro.
Tem clientes que precisam de um servicinho, marquinha, folderzinho, cartãozinho e eles pedem exatamente para pessoas que fazem servicinho, agenciazinhas, designerzinhos que fazem coisinhas pequenininhas, só pra não passar batido. E esse tipo de empresa está em TODOS os cantos do mundo.
Difícil mesmo é a empresa prestar consultoria ao cliente e dizer “não” quando enxerga que o problema do cliente não é comunicação ou mesmo alguma estratégia de marketing. É um problema de administração, financeiro, jurídico, estrutural, tecnológico ou gestão corporativa. Pode até ser um problema de comunicação, mas algumas empresas são incapazes de realizar um planejamento, estabelecer um cronograma de ações e então executar o que DEVE ser feito, e não o que o cliente QUER que seja feito.
Algumas pessoas podem estar dizendo: “mas isso não é da minha conta. Sou pago para fazer o que o cliente pede”. Isso parece não ser da conta deles agora que o cliente está com o dinheiro pra lhes pagar. O problema vai ser quando esta empresa “elaborar” as ações, produzir as peças, não estipular nenhuma meta, nenhum objetivo, e depois de um tempo o cliente dizer: “poxa, gastei um dinheirão com esse ‘folder’ e esse ‘cartão’ e não adiantou nada. Vou ter que fechar a empresa. Gastei dinheiro a toa”. Então, além de prejudicar a imagem da empresa, suja a imagem de todo um negócio. Somos então chamados de enganadores, charlatões, e nossos serviços tachados como “despesas desnecessárias”.
O que proponho aqui é uma reflexão sobre a atitude de adequação dos serviços, análise do problema do cliente e como sua empresa pode contribuir para solucionar este problema. Clientes procuram empresas para serem parceiras, que façam um trabalho honesto e de qualidade. Preço? Se você conseguir neutralizar o fator preço agregando valor no seu negócio, ele vai pagar.
O mundo está cheio de clientes que querem curar um câncer com aspirina. O pior é que tem gente que vende a aspirina. Felizes são aqueles que pensam na vida do cliente, na cura para a doença, e não na venda edo remédio em si.
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