09/04/09 – O preço de uma decisão errada

Nenhum executivo está longe da ameaça de tomar decisões erradas. As causas de um fracasso em determinada decisão podem ser das mais diversas, desde superstições até a total ignorância do executivo em determinado mercado. Em um mercado de economia instável como o Brasil, qualquer tipo de decisão deve ser muito bem pensada antes de ser tomada, pois pode comprometer toda a imagem de uma marca, e arruinar todo um império construído. 

Decisões erradas não estão sujeitas a acontecer somente com executivos de grandes empresas. Os micro-empresários são os que mais estão sujeitos a cometer erros. Inicialmente pelo próprio fato do tempo de empresa. Dependendo do tipo de segmento e know-how que o executivo tem para o mercado, muitas das experiências terão que ser vividas, principalmente as ruins, para então o gestor ter um conhecimento de funcionamento do mercado, maldades e malícias, até mesmo de relacionamento com outros concorrentes e fornecedores.

 Um dos grandes problemas enfrentados pelos executivos de micro-empresas é o fato de não contarem com sistemas de informação eficientes o suficiente para poderem ter uma postura mais preventiva do que reativa. Seus contatos se limitam muitas vezes à fornecedores e outros representantes de marcas, e também dos próprios clientes que fornecem informações sobre preços de concorrentes, produtos novos oferecidos pelo mercado, etc. O problema é que as vezes essas informações chegam em um momento onde as coisas já estão acontecendo, exigindo da empresa então uma postura reativa.

 Acredito que decisões erradas também são fruto de um problema sério que é a falta de habilidade e tato de lidar com funcionários. Trabalhar com pessoas é uma arte, e não pode ser negligenciado. Poucas são as empresas que possuem um sistema de avaliação de desempenho de funcionários pro-ativo. Pesquisas de clima organizacional são feitas, mas existem empresas em que a área de recursos humanos simplesmente apresenta os resultados para os funcionários, mas não tomam qualquer atitude. Isso resulta na perda de credibilidade por parte dos funcionários, diminuição da auto-estima dos funcionários, acarretando então uma série de problemas, entre eles a omissão de informações. Essa omissão de informações dos funcionários pode levar muitas vezes os executivos a tomarem decisões erradas por faltas das informações necessárias para a eficácia e para o sucesso daquela decisão. 

 Empresas com postura de dentro pra fora, ou seja, uma postura onde o que importa é tirar o produto da prateleira de qualquer maneira e vender para o cliente, tem maior chance de darem problemas do que aquelas empresas que tem uma postura de fora pra dentro, ou seja, preocupam-se em pesquisar o mercado primeiro e adaptarem seus produtos e serviços aos gostos de seus clientes. Sem esse domínio das informações de mercado, as empresas então acabam tomando decisões erradas a respeito de programas “estratégicos”, e não percebem que o resultado ruim ou o não atingir de uma meta foi fruto dessa postura inadequada para as empresas de hoje.

 Existem aquelas empresas que mesmo sabendo que tomaram decisões erradas, ainda insistem no erro. Foi o caso apresentado por Charles Roxburgh, diretor da consultoria McKinsey em Londres, em que diz: “Depois que alguém já gastou 100 milhões de dólares para colocar um projeto em curso, é comum que decida pôr outros 10 milhões para tentar salvar o investimento anterior”. Esse tipo de postura tomada pelos executivos podem acontecer porque são mesquinhos, excessivamente auto-confiantes, donos da verdade e principalmente negligentes.

 O setor de marketing é muitas das vezes negligenciado pelas empresas, o que é um erro fatal. Assim com numa guerra, armado em sua grande maioria de um sistema de informação eficaz, tanto dentro e fora da empresa, o setor de marketing possui os analistas de mercado como seus soldados que analisam todo o campo de batalha e levam informações preciosas para seus coordenadores. Estes então coletam as informações e montam trabalhos estratégicos para serem repassados aos executivos, tendo então que tomar decisões mais importantes. Por falta de tempo, ego, ou qualquer coisa do gênero, acabam arquivando isso e escutando somente seus consultores, que são erroneamente tratados como deuses e senhores da informação. Quando a decisão tomada acaba resultando em erro, e consequentemente em prejuízo, os setores que fornecem as informações são desfeitos, equipes desfeitas, demissões realizadas e contrata-se então uma nova equipe, fazendo disso um ciclo vicioso.

 Seria muita presunção dizer que em 100% dos casos é possível antecipar os fracassos ou resultados negativos, ou mesmo saber com antecedência que a decisão pode estar errada. Existe sim a chance de se analisar uma série de variáveis e contar com vários problemas que possam vir a acontecer, e então fazer uma previsão e um planejamento eficaz de forma a minimizar as chances de erro e aumentar as chances de sucesso.

 Uma filosofia muito interessante utilizada nas agências de propaganda, especialmente na área de planejamento de comunicação, é que existem dois fatores extremamente importantes para o sucesso de um projeto, antes de qualquer tomada de decisão. O primeiro fator é a pergunta. Os planners fazem todas as perguntas possíveis e imagináveis a respeito do negócio. O segundo e principal fator é mais importante do que o primeiro. Mais importante do que perguntar é a qualidade da pergunta. Perguntas que não levam à lugar nenhum podem ser fatais para o sucesso das operações. Mais importante então do que uma pergunta é a qualidade da pergunta, ou seja, o que é importante na resposta e que pode nortear toda uma empresa a trabalhar para resolver um problema ou aproveitar uma oportunidade.

 Outra postura importante é a de escutar. Como dizem os sábios: “Deus te deu duas orelhas e uma boca para você falar menos e escutar mais. Se quisesse que você falasse mais, teria te dado duas bocas”. Partindo desse pressuposto, como foi abordado no texto muitos executivos tomam decisões erradas por não escutarem seus funcionários, não prestarem atenção aos feedbacks a respeito de determinadas ações, fazendo com que muitas vezes os executivos persistam nos erros, levando-os a tomar decisões erradas e gerando péssimos resultados, podendo comprometer até a vida da empresa.

 Cabe aos executivos então organizar esses sistemas de informação, de forma que nele estejam presentes as pessoas responsáveis por informações estratégicas em todos o processo da empresa, desde a prospecção de clientes até o serviço de pós venda. Desta forma, eles poderão obter as informações necessárias em tempo hábil, podendo então terem uma postura pro-ativa e preventiva, e consequentemente tendo o poder de tomar decisões certas.

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